-Ah, se eu pudesse transmitir a lembrança, só agora viva, do que nós dois vivemos sem saber. queres te lembrar comigo? oh, sei que é dificil: mas vamos para nós.Em vez de superar-nos. Não tenhas medo agora, está a salvo porque pelo menos já aconteceu, a menos que vejas perigo em saber que aconteceu.
É que, quando amávamos, eu não sabia que o amor estava acontecendo muito mais exatamente quando não havia o que chamávamos de amor. O neutro do amor, era isso o que nós vivemos e deprezámos.
(...) E em nome nosso, bastava ver que a boca falava, e nós riamos porque mal prestávamos atenção. E no entanto chamávamos esse não-ouvir de desisteresse e falta de amor.
Mas na verdade como diziamos! dizíamos o nada. No entanto tudo tremeluzia como quando lágrimas grossas não se desprendem dos olhos; por isso tudo tremeluzia.
( C. Lispector)

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